Tuesday, July 07, 2009
VIAGEM
Nos teus braços viajei
para onde
não sei
faminto
nas estradas dormi
e de graça comi
pois o dinheiro não dei
Na rusga do chimba
minha algibeira mostrei
Pena
roupa não vestia
Luciano Canhanga
Monday, June 15, 2009
CÂNDID'AMOR
De oferta a exaltação de mimos queridos
Num amparo de ternura
E sufocos há muito esquecidos
Na memória a Cândida apanas
Parida de melosos amores forjados
Além terra-mar
Luciano canhanga
Monday, May 25, 2009
FRÁGIL
Pega devagar ...
com ternura
Fala baixo...
mas com afecto
Decide antes
se é...
P'ra ficar
ou p'ra descartar
Se p'ra zombar
ou p'ra amar
E se amar
fá-lo...
Com responsabilidade
Luciano Canhanga
(inspirado em Cuidado de Carol Vicente: http://silenciosidade.blogspot.com)
Wednesday, April 01, 2009
MELHOR IDADE
Quando luzes conquistar
Para olhos verem sucessos
E no curso da vida Progressos
da confusa cidade me desfarei
E por arrimos andarei
Quando tiver a melhor idade
Luciano Canhanga
Sunday, March 15, 2009
PAZ PODRE
É tentar esquecer
Sem dar mão a torcer
É podridão!
Paz com mágoas
É apertar a mão do irmão
Pronto a derramar lágrimas
É ter arma no cinturão!
Luciano Canhanga
Sunday, March 01, 2009
FIM DA PICADA
Cansei-me de fazer
Amor sem prazer
Pára!
Morde-me teu ventre
neste desprazer desgastante
Sinto!
Qu'o vapor da fenda
Agora me ofega
Luciano Canhanga
Monday, February 02, 2009
A MULATA QUE PERDI
Do primeiro beijo à Marta
se foi a imagem
Apenas as classe que frequentamos
e os caminhos trilhados
Na lembrança
Apenas a magreza
da esbelta mulata
Perdida
Nas estórias contadas
de metralhados contratados
a chicotes lusitanos
Queira,
refeito do trauma
em ti renasça a Marta
perdida na primária
mantendo a fragrância
e o brilho no olhar
Luciano Canhanga
Thursday, January 01, 2009
ÁGUA E SABÃO
Uma floresta fabrica silêncios
Relâmpagos matam chilreios
Qual música aos solfejos
No transbordo cervejeiro da festa
Répteis famintos disputam restos
Qual pardais em colheitas milheirais
Na ociosa embriagues assumem grandezas
Disputando belezas fabricadas
E a noite fervente devolve luz
Qual sonho mutilado à madrugada
Luciano Canhanga
Wednesday, December 24, 2008
NVULA
aos gotejos
Torrencialmente talvez
Algures
Não distante outra vez
Casas cedem
Gotejos que sedes matam
Chove
aos cântaros
Feliz canta
o barulhento telhado
a infelicidade do viandante molhado
E chove...
Luciano Canhanga
Sunday, December 14, 2008
UM DIA NA PELE ALHEIA
O pai solteiro é um soldado
que usa como cajado a máquina de lavar
o ferro de engomar
a linha e agulha para recoser
o amparo da galinha
para controlar
O pai solteiro é a mãe
que no cantar se desfaz dos nervos
que no caminhar se descontrai
de aborrecimentos de filhos inquietos
e infâmias de marido alcólatra
O pai solteiro é um ser
igual no género
diferente no fazer crescer
O pai solteiro é um HEROI
Luciano Canhanga